Palavras-chave: Pesquisa; Música Brasileira; Choro;
Pixinguinha; Educação; Métodos
didáticos; Arranjos; Construção de instrumentos musicais; Gravação de CD;
Debates;
“A inovação mais aparente, entre todas as feitas por Pixinguinha desde o inicio da década de 1930, diz respeito à utilização da percussão. É nítido o destaque muito maior dado a esse naipe, em comparação ao que se ouvia nos arranjos populares das décadas anteriores. Não se trata apenas da quantidade de instrumentistas ou do volume resultante, mas, principalmente, de uma variedade muito maior de cores empregadas. Para obter esse resultado, Pixinguinha recorreu a percussionistas ligados ao Estácio e a Cidade Nova, que traziam seus instrumentos recém-criados, até então nunca utilizados em estúdios de gravação. Com isso consolidou-se o casamento entre essas novas cores da percussão e os instrumentos de base vindos do choro (violões e cavaquinho) e das orquestras populares (piano e contrabaixo). Essa configuração de base rítmico-harmônica passaria a ser emblema de uma era na música popular brasileira.“
Texto “As novas cores do arranjador” de Paulo Aragão, incluído em Pixinguinha na pauta/ organização Bia Paes leme – 2010.
Pixingando
é um projeto de educação musical, realizado pelo Invensom tendo como base a figura de Pixinguinha. Com o objetivo de
aproximar novos públicos e tornar ainda mais acessível à obra deste gênio da
música popular brasileira.
“
Fundador dos Oito Batutas, compositor, arranjador, regente, cantor,
orquestrador, considerado mesmo o pai da orquestração brasileira. Foi o maior
flautista de todos os tempos e, quando trocou a flauta pelo saxofone e passou a
improvisar, desta vez como acompanhador, criou um contraponto tão requintado e
sofisticado que muitas vezes supera a melodia executada pelo solista. Segundo
Brasílio Itiberê, o contraponto feito por Pixinguinha é um dos elementos mais
complexos e de maiores consequências estéticas que existe na música
brasileira.”
(fonte Acari)
Para isso, será produzido um CD, no
formato Playalong*, contendo 10
faixas; 5 faixas completas e as mesmas 5 faixas sem a presença dos instrumentos
musicais alternativos/educativos. Estes instrumentos serão construídos por
Guilherme Sanches, especialmente para o projeto. Como mostra de resultados,
serão promovidos 4 debates em 4 universidades do estado do Rio Grande do Sul,
onde ocorrerá a distribuição gratuita do CD. * em sua tradução literal “toque junto”,
uma espécie de karaokê para instrumentos muito prático para estudar música.
Pixinguinha esteve à frente de seu
tempo e atuou como ponte entre os ritos da riquíssima herança cultural africana
e os estilos musicais europeus que desembarcavam no Brasil, abrindo caminhos e
indicando tendências, transformando de forma decisiva, as bases desta linguagem
que hoje é considerada a genuína música brasileira. Pixinga conviveu, desde menino, com grandes nomes da cultura do nosso País, tendo em
seu ambiente familiar à presença de importantes chorões da primeira geração,
alguém com mais de 63 anos, comprovadamente, dedicados à música, e que
trabalhou muito, como nos apresenta em seu livro Sergio Cabral :
“A
sua passagem pela música popular brasileira foi tão longa quanto marcante,
compositor, instrumentista, orquestrador e regente, Pixinguinha é apontado por
todos os que mergulham fundo no estudo de nossa música como um dos maiores
nomes que ela produziu em todos os tempos. Produziu suas obras e alicerçou uma
cultura. É sem dúvida, um dos pais da música popular brasileira. Assim é também
um dos pais da nossa nacionalidade”.
Atualmente
diversas são as propostas musicais influenciadas pela renovação e
reaproveitamento de fontes sonoras, mecanismos e instrumentos musicais, e
portanto, atentas ao som e seu potencial artístico. O projeto possui muitos
exemplos a serem tomados como referência: destacam-se os grupos UAKTI, Blue Man group, Pato Fu - Música de
Brinquedo, Adriana Partimpim e Stomp.